Trata-se, na verdade, de uma lista difusa, na qual eu, Sandmind, se adotei a forma livre de um Alexandre Soares Silva, ou de um Alex Castro, não sei se lhe meti algumas ranhuras de ironia. Aí vai:
1 – Um ensaio longo sobre a suposta alienação na vida e na literatura, evocando exemplos clássicos como, por exemplo, Machado de Assis. Também aproveitaria para zoar aquele famoso texto do Bertold Brecht – O Analfabeto Político – e defender o conceito da torre de marfim. Depois discorreria sobre a relação do homem comum com a política e com o próprio umbigo. Ah, e isso deveria ser escrito em um estilo fluente e divertido, com influência de Campos de Carvalho ou mesmo de Antonio Prata, simulando o humor de ambos.
2 – Uma lista de explicações para o fato de eu escrever tão mal – minhas redações são um lixo, apesar de ler bem mais do que esse bando de autômatos de cursinho. Aliás, uma destas explicações proveniente de um post recente da Olivia Maia em seu blog.
3 – Um texto desenvolvendo e defendendo a noção de que a vida tem dois objetivos supremos: divertimento e epifanias. O resto é vaidade. (ou não é, Pregador?)
4 – Uma crônica sobre a minha conturbada relação com as pessoas, narrada com um lirismo contundente (nada de realismo pungente, isso soa muito orelha-de-livro-do-Rubem-Fonseca).
5 – Uma lista de talentos que eu nunca tive nem nunca desejei ter (embora, para consegui-los, algumas pessoas gastem horrores ligando para o número 666, na esperança de conseguir uma audiência e um pacto com o Diabo, o qual está sempre muito ocupado, servindo de alibi para Deus lavar suas mãos sempre tão sujas – as histórias de Fausto e de Jó datam de um tempo em que os homens eram trogloditas e ainda não precisavam de um bode expiatório para seus pecados) como, por exemplo, poder de retórica, liderança e simpatia.
6 – Uma análise dos meus posts anteriores, explicando-os e ironizando-os. (Bem, esse tem mais razões para não dar as caras do que a simples preguiça do autor.)
7 – Um conto sobre um velho que… (nada de previews ou pré-spoilers, já pensou se eu volto atrás? Ou se algum estafermo plagiador se aproveita de minha idéia, ganha um prêmio literário, e eu sou condenado a passar o resto da vida se lamentando por não ter escrito o conto? Afinal, a única coisa pior que a desistência é a certeza do sucesso que ela tornou impossível.)
8 – Um texto clichê sobre o pragmatismo, o fatalismo (ou determinismo, como queira), o acaso, a sorte, o azar e, finalmente, o niilismo – a única opção para os céticos desprovidos de imaginação.
9 – Um texto criticando essa moda recente da “nova direita” de criticar o Saramago (coitado do bom velhinho, até chorou recentemente por ocasião da exibição do filme do Fernando Meirelles baseado em um de seus livros, enquanto este último solta a resposta mais clichê possível – algo como “Você não sabe como isso me deixa feliz”).
10 – Um texto falando sobre a “nova direita”, a “velha esquerda”, o populismo, o antiintelectualismo, a inutilidade da cultura (literatura, música…) e a já citada torre de marfim.
11 – Um texto sobre a minha relação com a música: minhas bandas favoritas, minhas tentativas de aprender a tocar um instrumento, compor músicas e pagar de conhecedor musical supremo. Por fim, minha resignação perante minha falta de talento e eventuais recaídas, nas quais pego o violão e fico solando durante horas seguidas, fantasiando que eu sou o Django Reinhardt ou qualquer outro jazzista capaz de improvisações ad infinitum.
12 – Um resenha original sobre Avalorava, o magnum opus de Osman Lins, e uma sobre A Chuva Imóvel, do grande Campos de Carvalho, uma das poucas pessoas que ousou fazer humor decente nesse país onde atualmente A Praça É Nossa e Zorra Total reinam soberanos. (O fato de os dois autores serem desconhecidos talvez seja o embrião para uma futura lista, onde enumero meus quatro grandes autores brasileiros esquecidos, assim como o Alex Castro tem os dele – Cornélio Penna, Lúcio Cardoso, Adonias Filho e José J. Veiga. Só falta eu encontrar mais dois. Opções não faltam – Agrippino de Paula, Antônio Fraga, Uilcon Pereira ou os atuais Elvira Vigna e Esdras do Nascimento. Há ainda a possibilidade de inventar um autor, assim como o Sérgio Rodrigues inventou o prosador vesgo Lucho Ventania – ou talvez ele exista mesmo, tenho minhas dúvidas.)
13 – Um post sobre listas e como elas funcionam como um empurranzinho para quem, como eu, não tem do que escrever ou não sabe por onde começar. Com direito a citações às famosas listas de treze coisas do Polzonoff (olha, esse é o item número treze…).
14 – (Só para não plagiar o Polzonoff) Um ensaio enumerando dez coisas coisas ilógicas nas doutrinas bíblicas de uma certa igreja (com direito à um apêndice onde eu explico porque não mataria meu professor de lógica e, se porventura o matasse, não iria morar sob uma ponte do Sena apesar de nunca ter estado em Paris). Olha que eu já tinha conseguido umas três, quando a preguiça resolveu baixar suas asas anestesiantes sobre mim, totalmente inerme e inerte em minha clássica postura meditabunda.
15 – Um ensaio humorístico, onde eu esculacho (que palavras mais…) os ateus, os cristãos e os agnósticos, e me apresento como um dervixe rodopiante dotado de uma aptidão inata para o ballet, mais ou menos como a de Billy Elliot, mas sem a efeminação que o filme pintou como inerente a este talento. Aliás, é por causa desse maldito filme e da homofobia que nós temos que esconder nosso talento, vivendo como nômades e graças à caridade de alguns mecenas, sem falar no risco que corremos recebendo dinheiro de estranhos, os quais bem podem ser pessoas estranhas com taras por homens de saia (ora veja, podemos usar saias sem sermos considerados gays, mas não dançar) e que vivem sonhando em morar na Escócia.
16 – Um texto onde eu falo sobre o invejável ouvido absoluto, explico do que se trata, falo sobre a única pessoa que eu conheço que o tem – uma garota um pouco mais nova que eu – e, finalmente, desemboco (existe essa conjugação?) novamente no determinismo, na predestinação e em outros demônios afins.
17 – Um texto no qual eu mostro meu despeito pela resenha do Eduardo Carvalho para a CLB de 2007, onde ele diz que Antônio Torres é “um escritor mixuruca com ambição intergalática” e mostra total desconhecimento do resto de sua obra.
Agora vou ler La Secta del Fénix, de Jorge Luis Borges – descolei o download de um e-book de Ficciones em espanhol, não que eu saiba falar espanhol, mas ler é outra coisa, eu entendo quase tudo. Depois vou ficar entediado e talvez brinque com minha Princesa Sofia – Capitão Kirk, segundo um teste internético – enquanto escuto Longview do Green Day.
En la alegoría del Fénix me impuse el problema de sugerir um hecho común – el Secreto – de uma manera vacilante e gradual que resultara, al fin, inequívoca; no sé hasta dónde la fortuna me ha acompañado. Jorge Luis Borges.
Eu tentei fazer o mesmo com o último parágrafo. Adivinhem.
Lucas disse,
Junho 9, 2008 @ 11:04 pm
Ítem 15: Raul, talento para o ballet e medo de ser pego na rua… Eu morro e não vejo tudo.
sandmind disse,
Junho 12, 2008 @ 3:22 pm
Lucas,
O item 15 foi uma piada (embora careça de graça), como eu esclareci no começo.
No mais, item não tem acento. Irônico, já que você sempre reclamou da minha ignorância nesse assunto, e praticamente se auto-denominava o “senhor-eu-sei-acentuar-as-palavras”.
Lucas disse,
Junho 16, 2008 @ 12:00 pm
Desculpe pelo acento, como você pode ver… Eram 11:04 da noite