Como alguns sabem, hoje é o Bloomsday. Para os que não sabem, vou explicar: o Bloomsday é um feriado comemorado na Irlanda, no dia 16 de junho, em homenagem ao livro Ulisses, a obra-prima de James Joyce (há controvérsias…) e uma da mais importantes criações literárias do século XX.
O Bloomsday tem essa denominação por causa do nome do personagem principal do livro, Leopold Bloom. E é comemorado em 16 de junho porque a história do livro se passa nesse dia. Já James Joyce, por sua vez, escolheu que a ação do livro se passaria nessa data porque no dia 16 de junho do ano de 1904, ele saiu pela primeira vez com Nora Barnacle, a qual viria a se tornar sua esposa. Alguns boatos dizem que, nesse dia, ela teria desabotoado a braguilha da calça dele, e… vocês sabem.
Agora que já expliquei o Bloomsday, vou explicar rapidamente por que não vou escrever nada sobre o Ulisses: pelo simples motivo, causa, razão ou circunstância de que eu não li o livro. O único livro do Joyce que eu li foi Dublinenses, do qual gostei.
Ulisses não está na minha lista de leitura a curto prazo, mas está com toda certeza na de longo prazo. Afinal, eu só tenho dezessete anos (essa vai ser uma das poucas vezes em que quem lê esse blog vai me ver dizendo isso, já que sou um jovem com freqüentes crises de meia idade – “eu já tenho dezessete anos e o que eu realizei até agora?”).
Bem, como aqui vai ficar na falta de um texto especial, vocês podem conferir uma comemoração decente do Bloomsday no site/blog do Leandro Oliveira. Ele faz isso todos os anos.
Quem sabe no ano que vem eu já tenha algo a dizer sobre o Ulisses.
Só para não passar em branco, aqui vai um excerto catado a esmo do livro em e-book, com tradução do Antônio Houaiss:
Equanimidade?
Como tão natural quanto qualquer e cada acto natural de uma natureza expressa e entendida executado em natureza naturada por criaturas naturais em concordância com as naturezas naturadas dele, dela e deles, de similaridade dissimilar. Com não tão calamitoso quanto uma aniquilação cataclísmica do planeta em consequência de colisão com um sol sombrio. Como menos repreensível que roubo, assalto em estrada, crueldade com crianças e animais, obtenção de dinheiro sob falsos pretextos, forjicação, malversação, prevaricação com dinheiro público, abuso da confiança pública, simulação de doença, lesão deliberada, corrupção de menores, difamação criminosa, chantagem, contempto da justiça, incendiarismo, traição, felonia, amotinamento em alto mar, violação de domicílio, arrombamento, evasão de prisão, prática de vício contra a natura, deserção das forças armadas em ação, perjúrio, caça e pesca ilícitas, usura, inteligência com os inimigos do rei, falsificação de pessoa, assalto criminoso, assassínio, homicídio voluntário e premeditado. Como não mais anormal que todos os processos afterados de adaptação a condições de existência alteradas, resultantes em equilíbrio recíproco entre os organismos corporais e suas circunstâncias esperáveis, alimentos, beberagens, hábitos adquiridos, inclinações indulgidas, doenças significativas, Como mais que inevitável, irreparável.
P.S.: Não resisti ao clichê: será que no futuro rola um equivalente no Brasil? Dia do Riobaldo seria o mais provável.
