O Tamanduá que cobriu o Sol

Como eu não gosto de falar de política, usei a metáfora do título, que apenas os habitantes da Capital Nacional do Frango entenderão, e vai ficar só nisso.

Pensando bem, vou falar mais um pouco: o candidato em que votei ganhou. No entanto, não compartilho do entusiasmo da maioria de seus eleitores. Votei nele mais porque minha família queria que ele ganhasse, e nada mais razoável do que eu, com meus dezessete anos e vivendo à custa de meu pai, colaborasse pelo menos com isso. Além disso, eu disse que o cara ia ganhar, e, se ele não ganhasse, como ficaria minha fama de profeta? Eu não posso estar errado.

Foi meu primeiro voto. As mesárias até me zoaram. Primeiro eu cheguei e não sabia quem eram as mesárias (por incrível que pareça, as mesárias são as que ocupam as mesas!). Mas não era bem assim, tinha umas mulheres na porta que, se não me engano, também tinham mesas, e daí… Eh… Bem, foi assim: fiquei parado na entrada da sala (e até imagino minha expressão facial) até que uma das mesárias estendeu a mão, num sinal que significava “me dê logo seu título”. Fui até lá. Entreguei o título, e fiquei com o RG na mão (afinal precisa ou não do RG? a mulher nem olhou o meu). Aí ela pediu se era minha primeira votação. Claro que ela só estava tentando puxar conversa, afinal com o título na mão era só olhar minha data de nascimento. Tá, fui lá, votei e, quando voltei, uma das mesárias se aproveitou de minha inocência:

— Viu, nem te mordeu.

Eu mereço. Dei um sorriso tímido e olhei para baixo. Peguei o título, agradeci, tentando me impor um pouco, mas a essa altura já estava tudo perdido. Dei um tchau rápido e fui embora.

Pronto, sobre a eleição era isso.

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A Copa de Literatura Brasileira (CLB) está bem divertida. Acompanhem lá.

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Ontem assisti O Amor nos Tempos do Cólera (sempre pensei que fosse “de Cólera”). Bem, o que posso dizer. Um filme bom, só isso. Quem espera uma adaptação tão boa como Onde os Fracos Não Têm Vez ou Desejo e Reparação nem assista. Acho que deveria ter lido o livro primeiro, mas agora já foi.

Algumas coisas a serem ressaltadas: o filme tem um estilo bem, como eu posso dizer, tropical e caliente, que me lembrou algumas coisas do cinema brasileiro (no qual, aliás, não sou nenhum expert — não assisti nem Glauber Rocha), o que não é surpresa já que é baseado na obra de um colombiano (é aqui perto, porra) e tem a Fernanda Montenegro em um dos papéis principais. Falando em papéis, gostei muito da atuação do Javier Bardem, em minha opinião um dos melhores atores da atualidade.

Hoje finalmente assisti O Efeito Borboleta. Estranho eu ter demorado tanto já que sou fissurado pela teoria do caos. Gostei do filme, mas estava esperando mais. Criar expectativas sempre é um saco. Um amigo meu disse que o filme era difícil, que teve que assistir duas vezes para entender e sei lá mais o quê. Bem, eu acho que, se você não sofre de lapsos de memória como o personagem principal, assistir uma vez é mais do que o suficiente. Queria ver esse meu amigo assistindo Syriana ou O Bom Pastor, filmes que exigem muito mais do espectador.

Em outra ocasião falo mais sobre os filmes (mentira, não falo). Faz um tempo que chegou o CardosOnline – Edição Especial Comemorativa do Centenário, e eu estou louco para lê-lo (para quem não sabe, o CardosOnline foi um e-zine brasileiro, famoso por revelar os escritores Daniel Galera, Daniel Pellizzari e Clarah Averbuck. Conheci o e-zine recentemente e devo dizer que alguns textos me agradaram muito, tanto que baixei todas as edições. O Galera, além dos contos e das egotrips, escreveu ótimas resenhas sobre cinema, música, literatura e o diabo a quatro; conheci Will Oldham, Modest Mouse e Portishead graças à essas resenhas).

Por hoje é só.

Trilha sonora de hoje:

Fly Pan Am – Fly Pan Am

Stars – Set Yourself On Fire

Iron & Wine | Calexico – In The Reins

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